terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Necessidade


" Vai passar, é claro que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência. "

Caio Abreu
Confissões pedem folha branca. Não grites, não suspires, não te mates: escreve."

(Drummond)

NESTE MOMENTO

Tão bom quando a gente compreende certas coisas.

Mas um compreender inteiro, que nasce quando a gente vivencia certas coisas de peito aberto e se

entrega ao que tiver que ser, como tiver que ser. Um compreender que nasce quando a gente perde o

medo da vida e entende que a beleza está nas coisas serem inteiras, e não perfeitas.

E palavras alheias sempre a dizer exatamente o que a gente queria dizer, e não sabia como.

(* Gilberto Gil, em 'Drão")

sábado, 14 de novembro de 2009

Chorarei atrasada, desculpe-me. Ponha seus pés de molho, desembrulhe seus cabelos e vá pra rua. É lá onde se leiloa corações, É onde também, se formos pontuais e dedicados, arrecadaremos acompanhamentos... Dizem que teve gente que conseguiu além dos braços e pernas quase uma cabeça inteira com olho e tudo. Levante-se e vá! Tenha os joelhos ralados, ponha-se disponível. Não se preocupe com meus sonhos. Coube a mim ter mais algumas mãos pra contar nos dedos as malas que transportarei. As marcas do estrangulamento permanecem, sabia? Agora já sem preceitos, mexa-se e vá! O mar já se colocou de pé. As veias da cabeça já se salientaram azuis E a camiseta molha... É fácil desembrulhar as caixas, o difícil é carregá-as. Nós sabemos disso?
"Se eu me confirmar verdadeira,

estarei perdida porque não saberei

onde engastar meu novo modo de ser

- se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias,

o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele."

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

NORMOSE

Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está passando por algum problema. Quem não se "normaliza", quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós? Quem são esses ditadores de comportamento que "exercem" tanto poder sobre nossas vidas? Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados. A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer ser o que não se precisa ser. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar? Então, como aliviar os sintomas desta doença? Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as> regras bovinamente, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais. Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais e tentam viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Para mim são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações. Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada. Por isso divulgue o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.
Michel Schimidt> Psicoterapeuta

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

JOGAR TETRIS MODIFICA O CÉREBRO



Cientistas podem ter descoberto que o jogo inventado por russos no século passado ajuda no desenvolvimento do cérebro e faz crescer a massa cinzenta dos seus aficionados.
O estudo foi realizado pela Blue Planet Software - detentora dos direitos do jogo - em conjunto com a Mind Research Network e mostrou que jogar Tetris pode modificar fisicamente o cérebro de uma pessoa. Dependendo do tempo que for jogado, o Tetris pode tornar certas áreas do cérebro humano mais eficientes.
Segundo o site The Escapist o estímulo causado pelo jogo também faz com que outras áreas do cérebro desenvolvam melhor seu córtex, camada mais externa do cérebro dos seres humanos, aumentando o volume da massa encefálica.
Um dos pesquisadores, o dr. Richard Haier, acredita que o Tetris cria mudanças físicas duradouras na mente, ajudando a retardar o declínio do raciocínio que acontece com o avanço da idade nas pessoas, noticiou o blog GameLife da revista Wired Haier também informou que outros jogos de quebra-cabeça como palavras cruzadas e vídeo game ajudam para alcançar esse benefício.


A pesquisa, publicada esta semana no periódico BMC Research Notes, foi conduzida com 26 adolescentes do sexo feminino que jogaram Tetris por três meses consecutivos e passaram por exames de ressonância magnética antes e depois desse período, noticiou o site New Mexico Business Weekly. Apesar de criticado pela baixa amostragem e pela influência da Blue Planet, que tem interesse na publicidade positiva advinda da pesquisa, o estudo pode ser considerado cientificamente válido, ainda que de pouco alcance.