domingo, 6 de maio de 2012
Não Custa Lembrar
Não custa nada lembrar !
Um dia você vai aprender que nem todo mundo que te elogia quer teu bem e que nem todo aquele que te critica quer teu mal. Vai entender que aqueles que te odeiam muitas vezes o fazem por desejarem estar no seu lugar.
Vai perceber que a bondade não está apenas nas palavras, mas principalmente nos atos. Que solidariedade é diferente de caridade que é diferente de exibicionismo. Que espiritualidade não precisa de religião.
Vai aprender que um amor não se molda, se vive. Que só fazem conosco o que permitimos. Que perdoar não é esquecer e sim aceitar as desculpas e deixar que a ferida cicatrize sem precisar mostrá-la. Contudo aprenderá que insistir no erro é escolha.
Que ser determinado é diferente de ser inconveniente. Que ter disciplina é fundamental para desfrutar da liberdade. Que ninguém é totalmente bom e nem totalmente mau.
Vai perceber que todo mundo tem um preço, mas que nem todos estão a venda. Vai notar que aquele que muito se faz de humilde não sabe o que de fato seja humildade. Que quem muito ostenta é porque pouco tem para mostrar. Que maturidade é olhar para si sem ignorar o outro. É aceitar também que os que estejam próximos tenham diversos defeitos assim como nós e que a amizade está em conviver com isso sem deixar de celebrar as qualidades.
Um dia você aprenderá que os jornais mentem. Que a televisão está a serviço apenas dos comerciais, que a vida das celebridades não é realmente como na revista e que todo mundo solta pum.
Que ler ajuda a escrever, que o mundo não começou no dia que você nasceu, que existem pessoas com conhecimento e outras apenas com informação.
Vai notar que sabedoria é mais do que ter cultura e que tem mais gente culta do que Sábia. Que ser inteligente é diferente de ser esperto, e que para ser esperto não é preciso enganar os outros.
Vai notar que há quem fale bonito e não tenha nada a dizer e há quem não saiba conjugar um verbo corretamente mas consiga expressar o que é preciso, na hora em que é preciso.
Vai perceber que é preciso ouvir, mas que ficar sempre calado é omissão.
Poder ser que entenda que liberdade de expressão não significa agredir sem consequências, que democracia só existe onde todos que façam parte dela tenham consciência do que seja uma democracia e que o Estado não está nos fazendo favor. Nós pagamos impostos.
Vai notar que numa sociedade somos sócios e que existem problemas que são comuns a todos nós e que se não nos unirmos para resolvê-los mais cedo ou mais tarde eles nos atingirão.
Vai descobrir que o atraso na educação facilita a manipulação das massas. Que autoridades não gostam de ser questionadas. Que tem muita gente que trabalha para manter a calamidade sem saber e ainda acha graça e faz piada disso.
Vai entender que existe limite para tudo e que para saber qual será o seu limite terá que ultrapassá-lo, contudo tendo consciência de que existem consequências e algumas sem volta. Que é no equilíbrio que se encontra a harmonia e que para chegar a este estágio será preciso bem mais do que apenas citá-lo.
Entenderá que é mais interessante nos ver brigando uns com os outros do que unidos em prol do crescimento coletivo. Que nos dividiram por classes, cor, credo e raças porque fica mais simples de controlar.
Um dia você vai aprender que tem tanta coisa para aprender por aqui e que essa é nossa função nessa existência que então perceberá o quão pequeno é perto do universo que existe ao redor. E quando tiveres a consciência de que tudo que acontece na sua vida seja fruto apenas de suas escolhas, então não apontarás mais o dedo para culpar ninguém pelo que não conquistou. E muito menos colocará a responsabilidade da sua felicidade em outro que não em ti mesmo.
Que cada um usa as armas que tem, mas que é preciso responsabilidade e respeito aos que estão próximo para que estas armas não sejam usadas para prejudicar os outros e consequentemente a você. Que todos temos um dom, uma capacidade e o direito de optar por ser apenas mais um ou deixar sua própria história marcada.
Nesse dia você aprenderá, que ainda não sabe de nada.
Então começará uma nova busca...
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Olho o mundo de um trilho paralelo não sinalizado em modo intermitente e clandestino para respirar sem máscara. e aprendo devagar porque me perco a distinguir os aromas, a decifrar o código das sombras, a coar as vozes no filtro do silêncio. Distraio-me com as flores que crescem à toa pelas bermas, mas não me detenho nos trevos.
Não me move qualquer meta. O prazer está na viagem e nos detalhes que atravessam as paragens. Partilhas fortuitas. E não tenho pressa. Deixo-me levar no ritmo da respiração das árvores e no embalo da brisa. Saber que a vida não é uma linha reta e não se compadece com malmequeres proféticos, não me impede de reconhecer às vezes a linguagem íntima da alma quando me cruzo com um aroma distinto. Então tenho rasgos como relâmpagos e alimento-me da embriaguez da música. Dou assim contributos para a combustão dos sonhos. E só me espanta como consigo morrer tantas vezes.
Já pouco ligo às vozes de fora mas ainda preciso disciplinar o espasmo dos dedos. A lucidez é um bisturi que me recorta rigorosamente os olhos sem lhes causar dano. Dói-me a lâmina que os disseca. Nunca os olhos, e só não sei como sair daqui sem sair daqui.
Não me move qualquer meta. O prazer está na viagem e nos detalhes que atravessam as paragens. Partilhas fortuitas. E não tenho pressa. Deixo-me levar no ritmo da respiração das árvores e no embalo da brisa. Saber que a vida não é uma linha reta e não se compadece com malmequeres proféticos, não me impede de reconhecer às vezes a linguagem íntima da alma quando me cruzo com um aroma distinto. Então tenho rasgos como relâmpagos e alimento-me da embriaguez da música. Dou assim contributos para a combustão dos sonhos. E só me espanta como consigo morrer tantas vezes.
Já pouco ligo às vozes de fora mas ainda preciso disciplinar o espasmo dos dedos. A lucidez é um bisturi que me recorta rigorosamente os olhos sem lhes causar dano. Dói-me a lâmina que os disseca. Nunca os olhos, e só não sei como sair daqui sem sair daqui.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Um Rio Vazio
Desmancha os meus cabelos, como fazes
quando estamos os dois calmos e em paz,
em vazio colóquio - quando estamos
como dois barcos quietos... junto ao cais...
Quando deixamos para trás o mar,
mar de impulsos, de sonhos e desejos,
"quando o teu corpo é um barco ao meu comando
sacudido de ventos e de harpejos...
Já vencemos, os dois, cantos e vagas,
na aventura das horas dionisíacas,
deslumbrados com os próprios temporais...
Desmancha agora, amor, os meus cabelos,
como fazes nas horas de bonança,
quando somos dois barcos, junto ao cais..."
Em teus braços, sou como um barco
desarvorado,
por roteiros perdidos...
E o meu desejo é este vento
que levanta procelas
em teus sentidos...
Ah! Morrer assim
como um marinheiro,
e mergulhar, e me afogar...
... e encontrar meu destino e meu fim
em teu corpo de mar... "
J.G.DE ARAUJO JORGE
Gosto quando me falas de ti... e vou te percorrendo
e vou descortinando a tua vida
na paisagem sem nuvens, cenário de meus desejos
[tranqüilos
Gosto quando me falas de ti... e então percebo
que antes mesmo de chegar, me adivinhavas,
que ninguém te tocou, senão o vento
que não deixa vestígios, e se vai
desfeito em carícias vãs...
Gosto quando me falas de ti... quando aos poucos a luz
vasculha todos os cantos de sombra, e eu só te encontro
e te reencontro em teus lábios, apenas pintados,
maduros,
mas nunca mordidos antes da minha audácia.
Gosto quando me falas de ti... e muito mais adiantas
em teus olhos descampados, sem emboscadas,
e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençol
distendido,
e descortino o teu destino, como um caminho certo, cuja
primeira curva
foi o nosso encontro.
Gosto quando me falas de ti... porque percebo que te
[desnudas
como uma criança, sem maldade,
e que eu cheguei justamente para acordar tua vida
que se desenrola inútil como um novelo
que nos cai no chão..."
( Poema de JG de Araujo Jorge do
livro "Quatro Damas" 1a ed. 1965 )
quando estamos os dois calmos e em paz,
em vazio colóquio - quando estamos
como dois barcos quietos... junto ao cais...
Quando deixamos para trás o mar,
mar de impulsos, de sonhos e desejos,
"quando o teu corpo é um barco ao meu comando
sacudido de ventos e de harpejos...
Já vencemos, os dois, cantos e vagas,
na aventura das horas dionisíacas,
deslumbrados com os próprios temporais...
Desmancha agora, amor, os meus cabelos,
como fazes nas horas de bonança,
quando somos dois barcos, junto ao cais..."
Em teus braços, sou como um barco
desarvorado,
por roteiros perdidos...
E o meu desejo é este vento
que levanta procelas
em teus sentidos...
Ah! Morrer assim
como um marinheiro,
e mergulhar, e me afogar...
... e encontrar meu destino e meu fim
em teu corpo de mar... "
J.G.DE ARAUJO JORGE
Gosto quando me falas de ti... e vou te percorrendo
e vou descortinando a tua vida
na paisagem sem nuvens, cenário de meus desejos
[tranqüilos
Gosto quando me falas de ti... e então percebo
que antes mesmo de chegar, me adivinhavas,
que ninguém te tocou, senão o vento
que não deixa vestígios, e se vai
desfeito em carícias vãs...
Gosto quando me falas de ti... quando aos poucos a luz
vasculha todos os cantos de sombra, e eu só te encontro
e te reencontro em teus lábios, apenas pintados,
maduros,
mas nunca mordidos antes da minha audácia.
Gosto quando me falas de ti... e muito mais adiantas
em teus olhos descampados, sem emboscadas,
e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençol
distendido,
e descortino o teu destino, como um caminho certo, cuja
primeira curva
foi o nosso encontro.
Gosto quando me falas de ti... porque percebo que te
[desnudas
como uma criança, sem maldade,
e que eu cheguei justamente para acordar tua vida
que se desenrola inútil como um novelo
que nos cai no chão..."
( Poema de JG de Araujo Jorge do
livro "Quatro Damas" 1a ed. 1965 )
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
CRISTAIS SWAROVSKI EM FOLHA DE PAPELÃO
..E rabiscos de caneta bic em papel de pão.
EU gosto das coisas simples... definitivamente ! Do prático, do básico, do acessível, do bom, bonito e barato.
Simpatizo com o capitalismo mas não resisto a uma ponta de estoque. Não consigo dar esse valor todo que o comércio estabelece a certas coisas materiais. Logo quebram, estragam, queimam, rasgam, se acabam. Da mesma forma.
Mil reais por UMA noite de festa? Com essa grana faço milagres e ainda invento inúmeras festas e tão bacanas quanto.E ninguém fica olhando pro meu sapato, procurando minha etiqueta ou falando do último modelo de relógio que comprou em Nova York. Comprem... (À Vontade)... assim com eu quero estar!
Bem à vontade, despenteada se for o caso.
Porque nessa vida, tudo que é bom DESPENTEIA:
-Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar à pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…
Tem que existir alguém que pague pelo luxo, pelo requinte, pelo muito caro....pelos excessos e pelos exageros. Questão de gosto! Talvez... Não o meu.
Eu gosto da grandeza das coisas simples, gosto de poder estar sendo eu mesma em toda situação.
Gosto de gente pobre. Me inspiram a superar dificuldades com simplicidade.
Gosto de gente rica. Me mostram com elegância e requinte que eu não to perdendo nada.
Gosto das pessoa ricas que sabem ser simples e a valorizar as coisas simples da vida!
Gosto de admirar gente que não se esforça para ser admirado. Mas que ainda assim, faz algo admirável.
Realmente estamos vivendo um paradoxo em nossos tempos:
As pessoas hoje vivem para conseguir um cargo melhor, um carro melhor, uma casa maior, um salário mais alto e quanto mais alcançam seus objetivos mais infelizes vão se tornando.
Hoje temos edifícios mais altos, mas pavios mais curtos...
Temos auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos...
Gastamos mais, mas temos menos...
Compramos mais, mas desfrutamos menos... Temos casas maiores e famílias menores...
Hoje bebemos demais, fumamos demais, gastamos de forma excessiva, rimos de menos, dirigimos rápido demais, nos irritamos facilmente...
Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores.
Aprendemos a ganhar a vida, mas não vivemos essa vida...
Temos maiores rendimentos, mas menos padrão moral...
Lucros expressivos mas relacionamentos rasos...
Mais lazer, mas menos diversão..
Maior variedade de tipos de comida, mas menos nutrição...
São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade também descartável e pílulas que fazem tudo: alegrar, aquietar, matar...
Gosto muito do livro AUTO-ENGANO de Eduardo Giannetti:
“(...) Há muita coisa em jogo. A condição epistêmica natural do homem torna a nossa vida mental opaca à introspecção. Mas a fonte das sombras e refrações que, em maior ou menor grau, distorcem a imagem que formamos de nós mesmos e de nossas motivações na vida prática é de natureza psicológica e moral. Qualquer que seja a métrica de valor relevante em cada caso particular, o indivíduo deseja parecer para os demais – e, principalmente, para aqueles que contam- melhor do que ele se sabe ser (...).
E ao ler A ELEGÂNCIA DO OURIÇO (Muriel Barbery), extraí dois trechos que complementam o contexto:
“(...) A estética, se refletirmos um pouco a sério, nada mais é que a iniciação à Via da Adequação.
Todos nós temos implantado em nós o conhecimento do adequado. É ele que, a cada instante da existência, nos permite captar sua qualidade e, nessas raras ocasiões em que tudo é harmonia, desfrutá-la com a intensidade requerida.”
“(...) Os que, como eu, são inspirados pela grandeza das pequenas coisas a perseguem até no coração do não-essencial, onde, revestida de trajes cotidianos, ela brota de um certo ordenamento das coisas ordinárias e da certeza de que é como deve ser, da convicção de que é bem assim.”
As pessoas perderam o prazer naquilo que é simples, verdadeiro e deixaram de viver suas vidas para viverem apenas seus objetivos.
Estou ENGANADA? Sei que não…
Encerro com a descrição de Muriel:
“(...) A sra. Michel tem a elegância do ouriço: por fora, é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes.”
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Necessidade

" Vai passar, é claro que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência. "
Caio Abreu
Caio Abreu
NESTE MOMENTO
Tão bom quando a gente compreende certas coisas.
Mas um compreender inteiro, que nasce quando a gente vivencia certas coisas de peito aberto e se
entrega ao que tiver que ser, como tiver que ser. Um compreender que nasce quando a gente perde o
medo da vida e entende que a beleza está nas coisas serem inteiras, e não perfeitas.
E palavras alheias sempre a dizer exatamente o que a gente queria dizer, e não sabia como.
Mas um compreender inteiro, que nasce quando a gente vivencia certas coisas de peito aberto e se
entrega ao que tiver que ser, como tiver que ser. Um compreender que nasce quando a gente perde o
medo da vida e entende que a beleza está nas coisas serem inteiras, e não perfeitas.
E palavras alheias sempre a dizer exatamente o que a gente queria dizer, e não sabia como.
(* Gilberto Gil, em 'Drão")
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