quarta-feira, 25 de julho de 2012
Sabedoria de Vida é Usufruir o Presente
Não permitir a manifestação de grande júbilo ou grande lamento em relação a qualquer acontecimento, uma vez que a mutabilidade de todas as coisas pode transformá-lo completamente de um instante para o outro; em vez disso, usufruir sempre o presente da maneira mais serena possível: isso é sabedoria de vida. Em geral, porém, fazemos o contrário: planos e preocupações com o futuro ou também a saudade do passado ocupam-nos de modo tão contínuo e duradouro, que o presente quase sempre perde a sua importância e é negligenciado; no entanto, somento o presente é seguro, enquanto o futuro e mesmo o passado quase sempre são diferentes daquilo que pensamos. Sendo assim, iludimo-nos uma vida inteira.
Ora, para o eudemonismo, tudo isso é bastante positivo, mas uma filosofia mais séria faz com que justamente a busca do passado seja sempre inútil, e a preocupação com o futuro o seja com frequência, de modo que somente o presente constitui o cenário da nossa felicidade, mesmo se a qualquer momento se vier a transformar-se em passado e, então, tornar-se tão indiferente como se nunca tivesse existido. Onde fica, portanto, o espaço para a nossa felicidade?
Arthur Schopenhauer, in "A Arte de Ser Feliz"
ETERNA APRENDIZ
Chorar não resolve, falar pouco é uma virtude, aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoismo. Para qualquer escolha se segue alguma consequência, vontades efêmeras não valem a pena, quem faz uma vez, não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com certeza faz onze. Perdoar é nobre, esquecer é quase impossível. Quem te merece não te faz chorar, quem gosta cuida, o que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente, não é preciso perder pra aprender a dar valor, e os amigos ainda se contam nos dedos.
Aos poucos você percebe o que vale a pena, o que se deve guardar pro resto da vida, e o que nunca deveria ter entrado nela. Não tem como esconder a verdade, nem tem como enterrar o passado, o tempo sempre vai ser o melhor remédio, mas seus resultados nem sempre são imediatos.
Charles Chaplin
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Com você, até o menos é soma
Uma vez, e não faz tanto tempo, alertaram como quem tenta salvar antes da inundação: ó, desse jeito vão enjoar. De novo ele? Mais uma vez? Vai cansar de você. Dá um tempo, respira longe, liberdade pro outro. Mas minha parte eu faço, oras. Fico um tantinho longe, faço mistério, trago novidades. Se a vontade de ficar juntos é uma constante e só aumenta – e nenhuma culpa nos chega, nenhum aviso é motivo plausível para briga qualquer coisa do tipo maléfico que tente uma separação precoce – que se há de fazer? Matar o tédio em conjunto, desmistificar o lado ainda não trajado do outro, deixar no seu colo as minhas horas para que você usufrua com apetite voraz os dias que nos são brindados em acabar com qualquer resquício de saudade nascida dentro das burocracias da semana atribulada. Sei que, ao invés do tédio, uma vontade de ser assim pra sempre, não ter que largar nunca esse princípio de coisa que nasceu já certa e mesmo quando aperta, até quando ocasionalmente discorda, é um pedacinho perfeito de céu estrelado no meio de tanta nuvem escura. É muito querer pra um mais do mesmo – e que tem assim sido há semanas – em que não canso, nem desejo que pare: numa conta exata onde sobra muito pouco, e tanto se soma, acredito que quem sai ganhando somos os dois. E mesmo cheia de lucros e aprendizados, um sinalzinho de adição qualquer martela a cabeça, uma voracidade violenta qualquer não de pertencer ou estancar, mas sim dessa forma que tem sido continuar agregando até mesmo quando parece que se perdeu. E se encontrar até quando o menos se torna de repente mais um pouco de nós dois.Mais de você me cuidando para não sentir frio demais, esquentando minhas mãos quase sempre congeladas. Mais de nós dois nos olharmos até que o outro se desarme e sorria (ou eu pergunte “o quê?” . Mais a gente imergindo a preguiça um do outro e comentando com um humor de recém acordados os filmes ruins e seriados mal dublados. Menos gente se metendo e opinando com velhos conceitos e novidades “bombásticas” por nós dois já conhecidas – e tão cúmplices somos, nem imaginam. Mais de a gente torcendo um pelo outro, e se achando as criaturas mais lindas da face risonha da Terra, e querendo um ao outro que tá mais que ótimo. Mais você me buscando, e eu entrando no carro com a carinha de quem respira aliviada. Menos os dias de semana, mais os dias que a finalizam. Mais o seu pé sem meia, menos eu quase caindo – e você avisando – da cama. Mais a vontade de se conhecer desde sempre, menos por não poder voltar no tempo e arquitetar algo que fizesse isso acontecer. Mais do seu perfume que me tira os sentidos, menos ele na minha pele e você já pelas ruas e aviões, distante. Mais de todas as carinhas que faço, e você se diverte; menos por não poder assistir nenhuma delas. Mais a medida das mãos, uma na outra. Mais deixar você livre e ainda assim, ver que assim como é você pra mim, muito mais que opção: uma escolha.
Consciente, tranquila, contente e cada vez mais acertada, essa coisa de pecar por se querer assim perto quando dá, esquecer o mundo por ter nas mãos algo muito mais interessante.
Uma porção de nós dois, por favor. SEMPRE!
domingo, 6 de maio de 2012
Não Custa Lembrar
Não custa nada lembrar !
Um dia você vai aprender que nem todo mundo que te elogia quer teu bem e que nem todo aquele que te critica quer teu mal. Vai entender que aqueles que te odeiam muitas vezes o fazem por desejarem estar no seu lugar.
Vai perceber que a bondade não está apenas nas palavras, mas principalmente nos atos. Que solidariedade é diferente de caridade que é diferente de exibicionismo. Que espiritualidade não precisa de religião.
Vai aprender que um amor não se molda, se vive. Que só fazem conosco o que permitimos. Que perdoar não é esquecer e sim aceitar as desculpas e deixar que a ferida cicatrize sem precisar mostrá-la. Contudo aprenderá que insistir no erro é escolha.
Que ser determinado é diferente de ser inconveniente. Que ter disciplina é fundamental para desfrutar da liberdade. Que ninguém é totalmente bom e nem totalmente mau.
Vai perceber que todo mundo tem um preço, mas que nem todos estão a venda. Vai notar que aquele que muito se faz de humilde não sabe o que de fato seja humildade. Que quem muito ostenta é porque pouco tem para mostrar. Que maturidade é olhar para si sem ignorar o outro. É aceitar também que os que estejam próximos tenham diversos defeitos assim como nós e que a amizade está em conviver com isso sem deixar de celebrar as qualidades.
Um dia você aprenderá que os jornais mentem. Que a televisão está a serviço apenas dos comerciais, que a vida das celebridades não é realmente como na revista e que todo mundo solta pum.
Que ler ajuda a escrever, que o mundo não começou no dia que você nasceu, que existem pessoas com conhecimento e outras apenas com informação.
Vai notar que sabedoria é mais do que ter cultura e que tem mais gente culta do que Sábia. Que ser inteligente é diferente de ser esperto, e que para ser esperto não é preciso enganar os outros.
Vai notar que há quem fale bonito e não tenha nada a dizer e há quem não saiba conjugar um verbo corretamente mas consiga expressar o que é preciso, na hora em que é preciso.
Vai perceber que é preciso ouvir, mas que ficar sempre calado é omissão.
Poder ser que entenda que liberdade de expressão não significa agredir sem consequências, que democracia só existe onde todos que façam parte dela tenham consciência do que seja uma democracia e que o Estado não está nos fazendo favor. Nós pagamos impostos.
Vai notar que numa sociedade somos sócios e que existem problemas que são comuns a todos nós e que se não nos unirmos para resolvê-los mais cedo ou mais tarde eles nos atingirão.
Vai descobrir que o atraso na educação facilita a manipulação das massas. Que autoridades não gostam de ser questionadas. Que tem muita gente que trabalha para manter a calamidade sem saber e ainda acha graça e faz piada disso.
Vai entender que existe limite para tudo e que para saber qual será o seu limite terá que ultrapassá-lo, contudo tendo consciência de que existem consequências e algumas sem volta. Que é no equilíbrio que se encontra a harmonia e que para chegar a este estágio será preciso bem mais do que apenas citá-lo.
Entenderá que é mais interessante nos ver brigando uns com os outros do que unidos em prol do crescimento coletivo. Que nos dividiram por classes, cor, credo e raças porque fica mais simples de controlar.
Um dia você vai aprender que tem tanta coisa para aprender por aqui e que essa é nossa função nessa existência que então perceberá o quão pequeno é perto do universo que existe ao redor. E quando tiveres a consciência de que tudo que acontece na sua vida seja fruto apenas de suas escolhas, então não apontarás mais o dedo para culpar ninguém pelo que não conquistou. E muito menos colocará a responsabilidade da sua felicidade em outro que não em ti mesmo.
Que cada um usa as armas que tem, mas que é preciso responsabilidade e respeito aos que estão próximo para que estas armas não sejam usadas para prejudicar os outros e consequentemente a você. Que todos temos um dom, uma capacidade e o direito de optar por ser apenas mais um ou deixar sua própria história marcada.
Nesse dia você aprenderá, que ainda não sabe de nada.
Então começará uma nova busca...
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Olho o mundo de um trilho paralelo não sinalizado em modo intermitente e clandestino para respirar sem máscara. e aprendo devagar porque me perco a distinguir os aromas, a decifrar o código das sombras, a coar as vozes no filtro do silêncio. Distraio-me com as flores que crescem à toa pelas bermas, mas não me detenho nos trevos.
Não me move qualquer meta. O prazer está na viagem e nos detalhes que atravessam as paragens. Partilhas fortuitas. E não tenho pressa. Deixo-me levar no ritmo da respiração das árvores e no embalo da brisa. Saber que a vida não é uma linha reta e não se compadece com malmequeres proféticos, não me impede de reconhecer às vezes a linguagem íntima da alma quando me cruzo com um aroma distinto. Então tenho rasgos como relâmpagos e alimento-me da embriaguez da música. Dou assim contributos para a combustão dos sonhos. E só me espanta como consigo morrer tantas vezes.
Já pouco ligo às vozes de fora mas ainda preciso disciplinar o espasmo dos dedos. A lucidez é um bisturi que me recorta rigorosamente os olhos sem lhes causar dano. Dói-me a lâmina que os disseca. Nunca os olhos, e só não sei como sair daqui sem sair daqui.
Não me move qualquer meta. O prazer está na viagem e nos detalhes que atravessam as paragens. Partilhas fortuitas. E não tenho pressa. Deixo-me levar no ritmo da respiração das árvores e no embalo da brisa. Saber que a vida não é uma linha reta e não se compadece com malmequeres proféticos, não me impede de reconhecer às vezes a linguagem íntima da alma quando me cruzo com um aroma distinto. Então tenho rasgos como relâmpagos e alimento-me da embriaguez da música. Dou assim contributos para a combustão dos sonhos. E só me espanta como consigo morrer tantas vezes.
Já pouco ligo às vozes de fora mas ainda preciso disciplinar o espasmo dos dedos. A lucidez é um bisturi que me recorta rigorosamente os olhos sem lhes causar dano. Dói-me a lâmina que os disseca. Nunca os olhos, e só não sei como sair daqui sem sair daqui.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Um Rio Vazio
Desmancha os meus cabelos, como fazes
quando estamos os dois calmos e em paz,
em vazio colóquio - quando estamos
como dois barcos quietos... junto ao cais...
Quando deixamos para trás o mar,
mar de impulsos, de sonhos e desejos,
"quando o teu corpo é um barco ao meu comando
sacudido de ventos e de harpejos...
Já vencemos, os dois, cantos e vagas,
na aventura das horas dionisíacas,
deslumbrados com os próprios temporais...
Desmancha agora, amor, os meus cabelos,
como fazes nas horas de bonança,
quando somos dois barcos, junto ao cais..."
Em teus braços, sou como um barco
desarvorado,
por roteiros perdidos...
E o meu desejo é este vento
que levanta procelas
em teus sentidos...
Ah! Morrer assim
como um marinheiro,
e mergulhar, e me afogar...
... e encontrar meu destino e meu fim
em teu corpo de mar... "
J.G.DE ARAUJO JORGE
Gosto quando me falas de ti... e vou te percorrendo
e vou descortinando a tua vida
na paisagem sem nuvens, cenário de meus desejos
[tranqüilos
Gosto quando me falas de ti... e então percebo
que antes mesmo de chegar, me adivinhavas,
que ninguém te tocou, senão o vento
que não deixa vestígios, e se vai
desfeito em carícias vãs...
Gosto quando me falas de ti... quando aos poucos a luz
vasculha todos os cantos de sombra, e eu só te encontro
e te reencontro em teus lábios, apenas pintados,
maduros,
mas nunca mordidos antes da minha audácia.
Gosto quando me falas de ti... e muito mais adiantas
em teus olhos descampados, sem emboscadas,
e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençol
distendido,
e descortino o teu destino, como um caminho certo, cuja
primeira curva
foi o nosso encontro.
Gosto quando me falas de ti... porque percebo que te
[desnudas
como uma criança, sem maldade,
e que eu cheguei justamente para acordar tua vida
que se desenrola inútil como um novelo
que nos cai no chão..."
( Poema de JG de Araujo Jorge do
livro "Quatro Damas" 1a ed. 1965 )
quando estamos os dois calmos e em paz,
em vazio colóquio - quando estamos
como dois barcos quietos... junto ao cais...
Quando deixamos para trás o mar,
mar de impulsos, de sonhos e desejos,
"quando o teu corpo é um barco ao meu comando
sacudido de ventos e de harpejos...
Já vencemos, os dois, cantos e vagas,
na aventura das horas dionisíacas,
deslumbrados com os próprios temporais...
Desmancha agora, amor, os meus cabelos,
como fazes nas horas de bonança,
quando somos dois barcos, junto ao cais..."
Em teus braços, sou como um barco
desarvorado,
por roteiros perdidos...
E o meu desejo é este vento
que levanta procelas
em teus sentidos...
Ah! Morrer assim
como um marinheiro,
e mergulhar, e me afogar...
... e encontrar meu destino e meu fim
em teu corpo de mar... "
J.G.DE ARAUJO JORGE
Gosto quando me falas de ti... e vou te percorrendo
e vou descortinando a tua vida
na paisagem sem nuvens, cenário de meus desejos
[tranqüilos
Gosto quando me falas de ti... e então percebo
que antes mesmo de chegar, me adivinhavas,
que ninguém te tocou, senão o vento
que não deixa vestígios, e se vai
desfeito em carícias vãs...
Gosto quando me falas de ti... quando aos poucos a luz
vasculha todos os cantos de sombra, e eu só te encontro
e te reencontro em teus lábios, apenas pintados,
maduros,
mas nunca mordidos antes da minha audácia.
Gosto quando me falas de ti... e muito mais adiantas
em teus olhos descampados, sem emboscadas,
e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençol
distendido,
e descortino o teu destino, como um caminho certo, cuja
primeira curva
foi o nosso encontro.
Gosto quando me falas de ti... porque percebo que te
[desnudas
como uma criança, sem maldade,
e que eu cheguei justamente para acordar tua vida
que se desenrola inútil como um novelo
que nos cai no chão..."
( Poema de JG de Araujo Jorge do
livro "Quatro Damas" 1a ed. 1965 )
Assinar:
Postagens (Atom)